terça-feira, 23 de maio de 2017

MOTIVOS

Criamos esta coluna para que Menalton pudesse contar a vocês as razões que o levaram a escrever cada um de seus livros. 

Na primeira postagem, ele escreveu sobre o livro de contos "A coleira no pescoço". Agora é a vez da novela "A esperança por um fio", direcionada ao público jovem, que foi editada pela Ática, em 2003.


Com a palavra, Menalton Braff:



A esperança por um fio foi minha primeira incursão na literatura juvenil. Sempre pensei que literatura não precisa de adjetivos, e continuo pensando, mas é assim que se move o mercado editorial.

Eu tinha um conto, O ar quente da sala, que não me agradava. Havia alguma coisa solta, algo de menos ou de mais. Ele resultara de uma cena a que assisti de uma pessoa surtando, e me pareceu mais tarde é que se tratasse de um surto de paranoia. Não poderia ser esquizofrenia, pois em algum tempo a pessoa estava curada. Era alguma coisa mais ou menos aterradora.

O retorno do hospital, entretanto, foi o que mais me impressionou. A sensação de vazio com a ausência da pessoa doente, como se a vida então tivesse de ser refeita inteiramente.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

ESPIANDO POR DENTRO

A coluna "Espiando por dentro" reúne analises de livros elaboradas por Menalton Braff e publicadas originalmente no site do escritor.

Livro Analisado: Lucíola 
Autor: José Martiniano de Alencar


A Obra 

Lucíola é um romance que pertence ao grupo dos romances urbanos de José de Alencar. Retrata, no espaço, a corte, isto é, a cidade do Rio de Janeiro; no tempo, a contemporaneidade, ou seja, o início da 2ª metade do séc. XIX (1862): Brasil-Império.

Personagens

Lúcia - Bela mulher com cerca de 20 anos. Prostituta de luxo, arrasta atrás de si homens de várias idades e fortunas. Temperamento difícil, geralmente inexplicável. Por não se conhecer sua história,

sábado, 20 de maio de 2017

BATE-PAPO COM ESTUDANTES

Dia 19 de maio, a convite da professora Malu, do Colégio Integral, de Cravinhos, fui bater um papo com seus alunos do 2º ano do Ensino Médio, que haviam lido meu "À sombra do cipreste".

Foram duas horas de trocas incríveis, aquelas crianças perguntando, questionando, todos eles ligadíssimos. Adorei o passeio.

 



sexta-feira, 19 de maio de 2017

CONTOS CORRENTES

... E nem sequer me viste
(Joaquim Maria Botelho - inspirado em um poema de Olavo Bilac)

Viu-a só uma vez. De relance. Loura, luminosa, clara. Cabelos cacheados emoldurando o rosto de menina, um olhar perdido, que num primeiro momento parecia estar focado sobre ele. Mas foram segundos. Passou pela frente da casa, retardando um tanto a caminhada – quem sabe ela voltava para mais um ligeiro estar abandonada sobre os cotovelos, na janela da casa bonita, bangalô florido, da Rua dos Ingleses. Não veio. E ele não teve mais como se demorar pela vizinhança. Podia ser tido como um malfeitor que espreita as casas para de noite roubar. Preferiu ir embora.

No dia seguinte não pôde passar pela frente do bangalô. Urgências profissionais o chamaram para outros bairros, outras cidades. Era um técnico prestigiado, tinha muitos e muitos chamados que atender, e atendia-os todos, sim senhor, pois não. Simpático e eficiente, era um gosto ser servido por ele. E o trabalho se avolumava. Mesmo entretido,

quinta-feira, 18 de maio de 2017

ORELHA

A partir de hoje, vocês terão a oportunidade de conhecer livros cujas orelhas foram escritas por Menalton Braff.

CEM ANOS DE HISTÓRIA E FICÇÃO

Quando aceitei a honrosa incumbência de apresentar este 1917-2017: O Século sem fim, imaginei-me às voltas com textos ensaísticos, talvez algumas crônicas para tornar mais leve e prazerosa a tarefa dos leitores. E as surpresas já começaram com o texto inicial. Relíquia macabra é um conto, um conto de erudito, mas literário. E se um dos pressupostos do texto literário, pelo menos desde o New criticism, é a ficcionalidade, neste como na maioria dos contos restantes o leitor vai encontrar elementos da História
que vai de 1917 até 2017. Mas enovelados com tais elementos surgem as entidades criadas pela imaginação assegurando a literariedade do texto. O Barão Vermelho, por exemplo, comparece avô daquela menina Richthofen, ambos, contudo, ficcionalizados.

Um ano auspicioso, conto em que Fernando Pessoa e Mário de Andrade comparecem como personagens, trocando uma rica correspondência, não tanto pela quantidade, que por si já é considerável, mas sobretudo pelos assuntos tratados, é um texto metalinguístico de refinadas reflexões críticas de literatura.

Vale a esta altura observar que a maioria dos contos têm como tempo histórico inicial o ano de 1917 e muitas vezes transcorrem de uma maneira ou de outra até 2017.

O primeiro, como não podia ser diferente, tem, como marco histórico, a revolução bolchevique, e com frequência aparecem personagens como Lênin, Trotski e Stalin, por motivos mais que óbvios. O

quarta-feira, 17 de maio de 2017

CANTIGAS DE AMIGOS


a menina nina
disse que a vovó
contou a ela
e que não é balela:

“que um poeta português
era um grande fingidor
que a dor que sentia
conseguia fingir que era
uma outra dor
e porisso
ficou sendo chamado
de O Outrador
aí ele se chamava Fernando
e ficava só outrando