sábado, 15 de abril de 2017

MENALTON FALA SOBRE "QUE ENCHENTE ME CARREGA?"

Ao ler um livro, muitas vezes desejamos saber coisas como: em que circunstâncias ele foi escrito, quanto tempo levou entre a primeira e a última linha, como ele é visto pelo próprio autor.

Para suprir essa lacuna, Menalton gravou alguns vídeos em que fala sobre cada um dos seus livros. O que escolhemos para hoje foi "Que enchente me carrega? ". O vídeo já foi postado aqui no blog, mas muita gente ainda não viu. E quem viu, talvez queira relembrar.

              

sexta-feira, 14 de abril de 2017

CONTOS CORRENTES

UM CORPO NO RIO
               (Chico Lopes)

Primeira vez que pensei em matá-lo? Não me lembro. Talvez naquela tarde, na beira do rio, quando o grupo, liderado por ele, teve que se render à evidência: nus, dele era o maior. Como eu nunca tirava a roupa perto dos outros e me escondia para urinar, ficara atrás de uns arbustos. Mas a voz odiosa não me esqueceu: “Ei, vem cá, porra! Mostra o pipi pra gente!”

Estava paralisado, vieram os três primeiros forçar-me a abaixar as calças; depois, ele saiu da água, gigantesco, rindo, e pediu para que se afastassem: “Só eu resolvo isso”.

Não tinha como reagir: forte demais, ele me despiu para todos. “Precisava esse pudor de mocinha? Até que ele é bem servido, não é, pessoal?”. Impossível definir o tamanho do ridículo, da raiva. Que poderia fazer? Ele replicaria que era companheirismo, “brincadeira, porra”, que não tinha a menor intenção de me humilhar, com a displicência cruel a que seu físico superior o autorizava. Vesti-me, trêmulo, querendo chorar e apertando os dedos, sumindo rápido, antes que ele me obrigasse a nadar,

terça-feira, 11 de abril de 2017

PÉ NA ESTRADA

Olá, pessoal,                                                                                                                                    
No dia 25 de abril, estarei visitando novamente a ETEC Ângelo Cavalheiro, em Serrana, para conversar com alunos do Ensino Médio que se preparam para o Vestibular. Nosso assunto, desta vez, será o romance Iracema, de José de Alencar. O encontro terá início às 18h na Biblioteca da escola.

Só para não gerar confusão: o encontro havia sido marcado inicialmente para dia 14, depois para dia 17 e finalmente foi transferido para dia 25.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

ENTREVISTAS QUE VOCÊ NÃO ASISTIU

Vamos voltar a 2009, quando Menalton Braff foi entrevistado por Letícia Costa, do programa Entrelinhas, na Tv Cultura. Menalton falou sobre sua carreira e sobre seus livros, entre os quais Muralha de Adriano, que tinha sido lançado dois anos antes e indicado para vários prêmios.

Muitos de vocês não assistiram. Que tal assistir agora?

         

domingo, 9 de abril de 2017

ESPIANDO POR DENTRO

Esta coluna reúne analises de livros elaboradas por Menalton Braff e publicadas originalmente no site do escritor.

O livro analisado nesta postagem é Bom-Crioulo, de Adolfo Caminha.

A obra

Bom-Crioulo, é o segundo romance do autor. Antes já publicara A normalista, cuja concepção e execução atendem aos preceitos mais rigidamente naturalistas. Este livro, Bom-Crioulo, assim como outras obras do autor, não foi bem recebido pela crítica por razões extraliterárias.

Escrito como vingança da sociedade que o discriminou por razões de moralidade (ou falsa moralidade), seus escritos ainda mais escandalizaram a sociedade da época.

Personagens

Amaro - O Bom-Crioulo, era assim chamado por seu comportamento geralmente cordato. Surgiu ninguém sabia de onde, um negro forte, jovem musculoso, provavelmente foragido de alguma fazenda. Um escravo fugido. Quando bebia, contudo, transformava-se numa fera.

sexta-feira, 7 de abril de 2017

CONTOS CORRENTES


Vão                                                                               (Claudio Eugenio Luz)


Sente saudades da mãe, não muita do pai. Acha que não vale a pena chorar e assim como veio irá partir. Tem certas coisas que são difíceis de segurar. As paredes estão caindo e olha só: a porta está aberta. Mas certamente, depois de tanto tempo assim, esqueceram de trancar. E por não se lembrar de afagos ou outras alegrias, se quiser, pode agora entrar, beber, berrar e brigar. A casa está vazia e não há ninguém para acolher nem para dizer adeus.