quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

CANTIGAS DE AMIGOS

COPO-DE-LEITE

(Raquel Naveira, de série Flores)

Sempre gostei de leite no copo
E de copo-de-leite,
Uma flor quase lírio
Em forma de copo branco
Como se guardasse leite
Ou algum pó lácteo,
Compacto
De que é feito um caminho de estrelas.

No copo-de-leite
Há um talo amarelo,
Pistilo cheio de luz e arrojo.

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

CRÔNICA

Esta coluna reúne crônicas de Menalton Braff publicadas originalmente em seu site ou em revistas.

JARGÕES PROFISSIONAIS


Há muito não me via tanto tempo preso à frente da televisão vendo jogo de futebol. Imagino que haja uma boa razão para isso, mas que não preciso confessar aqui. Não me agrada muito ser “corneteado”. É assim que se diz?

A gente passa de um canal para outro e parece que não saiu do anterior. Os narradores futebolísticos devem ter feito o pacto da uniformidade. As questões de estilo, raras exceções, são periféricas: não afetam a estrutura da narração. Os poucos bordões existentes não fazem lá grande diferença. Mas o que mais me impressiona é o jargão. Interessantíssimo. Daria um dicionário de expressões futebolísticas, se é que alguém já não andou fazendo isso.

Não sei se você, meu leitor apaixonado pelo esporte dos ingleses, já observou: um locutor esportivo jamais diz que um jogador machucou-se. Se se pergunta a um jovem (e os jovens são as principais vítimas das precariedades linguísticas, justamente por serem jovens) o que significa “contundido”, ele, mesmo antes de piscar, já terá respondido que se trata de jogador de futebol machucado. Tal é a força do chavão, que dá um sentido específico à palavra. Ninguém mais se contunde: só jogador de futebol.  Outra expressão universalizada é “valorizar a posse da bola”. Um dia alguém de muito

domingo, 18 de fevereiro de 2018

UMA NOITE DE POESIA

Poesia na música, poesia na parede, poesia no corpo, poesia nos varais. Quem foi ontem ao Sarau da Vela, experimentou formas diversas de manifestação artística. 

A noite foi aberta por Menalton, com a leitura do conto "O peso da gravata", que dá nome a sua última coletânea, publicada em 2016 pela Primavera Editorial.

Depois teve grafiti, música, exposição, tatoo, e tudo que um bom sarau pode ter. 

sábado, 17 de fevereiro de 2018

HOJE, ÀS 17H: MENALTON NO PROGRAMA IDENTIDADE


A Tv Thathi, de Ribeirão Preto, exibe hoje, às 17h, a terceira edição do seu novo programa Identidade e o entrevistado da semana é Menalton Braff.

O programa Identidade reúne histórias de vida de profissionais de sucesso nas mais diversas áreas.

Quem perder a exibição de hoje terá duas novas chances:

Domingo (amanhã, dia 18), às 14h30
Segunda (dia 19), às 20h.

A TV THATHI está no canal 22 da NET e 522 da NET Digital.

É HOJE!

Se você vive na região de Ribeirão Preto, não perca hoje o Sarau da Vela , a partir das 20h, na sede do Instituto Esfera, em Ribeirão Preto.

O evento é aberto ao público e contará com os seguintes convidados:

Menlton Braff  (autor)
Letícia Depiro (mestre de cerimônia)
Calil João (flash tatoo)
Alexandre Brant (músico)
Thainá Rossati (expositora)
Le Artioli (recheio de bolo/intervenções)
Renato Andrade (ilustrador)

Serviço:
Informações e inscrições  no Instituto Esfera.
Rua Amador Bueno, 1300
Centro, Ribeirão Preto-SP
contato@institutoesfera.com

(16) 98146-0791 | 98121-2145

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

CONTOS CORRENTES

(Conto de Evandro Affonso Ferreira*)

Caminho mais uma vez pelas avenidas desta cidade apressurada, cuja atmosfera permanece suja. Possivelmente procuro tempo todo o imprevisto. Caminho - eu, a melancolia e seus apetrechos sombrios. Meu semblante, este sim, continua resignado. Acho que sou melancólico artificial. Seja como for, ainda tenho saudade dos meus joviais tempos de embriaguez absoluta. Hoje vivo assim: afeiçoado à ociosidade lírica; escrevendo feito agora numa mesa de confeitaria. Fingindo conjecturas: posando de escritor para moça sentada sozinha à minha esquerda. Não tem entusiasmante beleza. Pouco importa: juventude traz em si aspecto luzidio, reluzente. Olhei para ela duas, três vezes sem entusiasmo - já não encontro mais devassidão nem mesmo nele meu olhar. Sei que ela nunca será minha confidente: jovem demais para gastar tempo ouvindo retrospectivas lamuriosas. Eu? Tenho grande passado pela frente. Sim: tempo todo reatiçado pelas reminiscências. Envelhecer é olhar sempre para trás – mulher de Lot em tempo integral. Assim como os chineses veem as horas no olho dos gatos, também vi agora as horas no olho daquela jovem: já é muito tarde para mim.


* Evandro Affonso Ferreira é autor de vários romances, entre eles "Minha mãe se matou sem dizer adeus" (Prêmio APCA Melhor romance de 2010 e "O Mendigo que sabia de cor os adágios de Erasmo de Rotherdam" (Prêmio Jabuti Melhor romance de 2012).